
Enquanto
Martin Luther King ergueu sua voz em
1963 para projetar um sonho coletivo de
justiça, igualdade e dignidade humana,
Donald Trump simboliza, para muitos
críticos, um projeto de poder assentado no oposto desses valores. O sonho de
King era profundamente democrático e humanista: uma nação em que negros e
brancos pudessem partilhar a mesma mesa, em que a cor da pele não determinasse
oportunidades, e em que o Estado atuasse como guardião dos
direitos civis e da
cidadania plena. Era um sonho de inclusão, reparação histórica e convivência
fraterna, construído a partir da luta pacífica e da mobilização popular. Já o
“sonho” associado a Trump — tal como você caracteriza — aparece marcado pela lógica
da ganância, da concentração de riqueza, do expansionismo e da exclusão. Suas
falas e políticas em relação a negros, latinos e imigrantes revelam uma visão
hierarquizada de humanidade, que ameaça conquistas civilizatórias duramente
alcançadas pelo
movimento dos direitos civis. Se King sonhava com pontes,
Trump, na percepção de muitos, trabalha com muros; se King apostava na
ampliação da democracia, Trump tem sido visto como agente de retrocessos; se o
sonho de 1963 era a fraternidade, o projeto contemporâneo que ele encarna soa
como o da divisão.
A política
de Donald Trump, marcada por retórica desumanizante e práticas
discriminatórias, projeta sobre o mundo uma sombra de autoritarismo que muitos
analistas associam a comportamentos de caráter genocida, na medida em que
naturaliza o sofrimento de povos inteiros — especialmente negros, latinos,
imigrantes e populações vulneráveis — em nome de interesses econômicos e
supremacistas. Seu governo tem sido guiado por ameaças permanentes, guerra de
tarifas e sanções que sufocam economias, elevam o custo de vida global e
aprofundam desigualdades, enquanto sua obsessão por poder e acumulação de
riqueza corrói pactos democráticos e multilaterais. Longe de representar
valores de solidariedade ou liderança responsável, Trump encarna um projeto de
dominação que lembra mais a lógica de ditadores tiranos do que a de um
estadista, deixando um rastro de divisão, instabilidade e retrocessos
humanitários cujos efeitos recaem não apenas sobre os Estados Unidos, mas sobre
toda a população mundial.
Por: Eufrate Almeida