PÁGINAS


BEM-VINDOS


Eufrate Almeida é jornalista, professor de história da África e de cultura afro-brasileira; é documentarista, formado em cinema pelos Estúdios Vera Cruz; é educador, formado em  educação física, pedagogia, e em gestão de clubes esportivos; pós-graduado em educação para as relações étnico racial, com extensão em diversidade e inclusão social em direitos humanos, pela USP; teve seu projeto "Jongo: Uma Herança da Cultura Africana", selecionado pela Universidade Harvard e apresentado no The ALARI Third Continental Conference on Afro-Latin American Studies, em julho de 2024.
Em sua carreira jornalística, Eufrate realizou mais de 70 exposições fotográficas sobre os mais variados temas; desenvolveu trabalhos com enfoque sociocultural retratando paisagens, vida social e cotidiana de povos africanos, em países como: Senegal, Costa do Marfim, Cabo Verde, Guiné Bissau e Gâmbia; realizou projetos de resgate da memória histórica dos quilombolas do estado de São Paulo e defendeu a formação de Quilombos, como uma sociedade política, democrática e economicamente organizada.
Em comunidades carentes, Eufrate tem realizado projetos pluriculturais utilizando o esporte, a fotografia e os elementos do hip-hop como ferramenta de resgate da autoestima e de inclusão, proporcionando uma vida socialmente saudável aos grupos de maior vulnerabilidade.
Na área esportiva, promoveu torneio de futebol na China, realizando jogos entre a equipe da Sociedade Esportiva Palmeiras e a Seleção daquele país. Evento que inaugurou o Taiyuan City Stadium, na Província de Shanxi, zona central da China.
Na educação ele ministra cursos de formação continuada para professores das redes públicas e particulares, em história da África e da cultura afro-brasileira e indígena, atendendo o que preconizam as Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08.
No campo empresarial, Eufrate é fundador e CEO da Produzcultura, empresa realizadora de produções audiovisuais e de eventos esportivos; fomentadora de cultura e executora de projetos educacionais.


OUTRAS ÁREAS DE ATUAÇÃO DE EUFRATE
  • Presidente do IRVV - Instituto Resgate e Valorização da Vida.
  • Presidente do IBASA - Instituto Benemérito Angelina Salvatore.
  • Foi coordenador de esportes na Prefeitura de São Paulo. 
  • Foi coordenador de projetos na Faculdades Zona Leste (FZL).
  • Atuou como professor titular da Hi Music School, ministrando aulas de Comunicação e Cultura Musical, experiência adquirida em sua vida jornalística, como locutor em programas de rádio, nos anos noventa e dois mil, passando por jornais e revistas, em São Paulo e Rio de Janeiro.       
          Contato: 11-98729 2595 (whatsapp)
            eufratealmeida@gmail.com

                                                            
  


  

31 de Julho – Dia Nacional do Cão Vira-Lata.

 


Uma data para refletir sobre o amor sem raça e o direito à vida digna para todos os cães.

Celebrado em 31 de julho, o Dia Nacional do Vira-Lata é mais do que uma homenagem ao carismático cão sem raça definida: é um convite à conscientização, à empatia e à adoção responsável. Popularmente chamados de “vira-latas”, esses cães representam a maior parte da população canina abandonada no Brasil e, por isso mesmo, são símbolo de resistência, lealdade e esperança.

Ao contrário do que muitos ainda pensam, o vira-lata não é “menos” do que um cão de raça. Pelo contrário: é justamente na mistura de origens e no olhar resiliente que se revela um dos amores mais genuínos que alguém pode experimentar. Eles não têm pedigree, mas têm histórias. Não nasceram em canis premiados, mas em muitos casos foram forjados nas ruas, nos abrigos, nos resgates – lugares onde a dor e a esperança se cruzam todos os dias.

De acordo com ONGs de proteção animal, milhões de cães vivem em situação de abandono no país. Boa parte deles é sem raça definida, vítima do descaso, da reprodução descontrolada e do comércio desenfreado de animais. Enquanto isso, pet shops e criadores continuam a vender filhotes como se fossem mercadorias, muitas vezes desconsiderando os impactos éticos e sociais dessa prática.

Adoção é um ato de amor e responsabilidade.
Adotar um cão sem raça é um gesto que salva duas vidas: a do animal e a de quem decide acolhê-lo. Vira-latas costumam ser inteligentes, resistentes, afetuosos e profundamente gratos por cada gesto de carinho. Muitos deles esperam anos por uma chance, presos a grades de abrigos ou vagando pelas ruas, invisíveis aos olhos de quem só enxerga o “cão perfeito” com pedigree.

Desestimular a compra de animais é proteger vidas.
O comércio de cães, quando feito sem critérios éticos, alimenta o abandono e explora a fêmea como matriz de reprodução incessante. Adotar, por outro lado, é romper esse ciclo cruel e escolher ser parte da solução. É entender que o valor de um cão não está na raça, mas na vida que pulsa nele.

Neste 31 de julho, que a data inspire uma nova forma de olhar para os animais. Que o vira-lata ganhe o lugar que sempre mereceu: não apenas no quintal ou no sofá, mas no coração da sociedade.

Porque amor de verdade não se compra — se adota.
E os vira-latas, mais do que ninguém, sabem amar.

Se puder, adote. Se não puder, apoie. Denuncie maus-tratos, ajude protetores e compartilhe essa ideia. A mudança começa com você.

 

A Slum Man In América / Um Maloqueiro Na América - No Justice, No Peace ...

O que é um "malaco", na gíria brasileira?

Malaco é um jovem, geralmente de periferia, conhecedor das ruas e guetos; ele fala gíria com frequência e muitas vezes é alvo das investidas policiais por ter o estereótipo parecido com o de malandro.

Um dos significados de malaco, é ESPERTO. Costuma-se dizer, que para sobreviver às maldades e "leis" das favelas e dos guetos das grandes metrópoles, tem que ser esperto, tem que ser malaco. O que não impede, tratar-se de um jovem honesto, que vive de seus esforços e de seu trabalho.

Conheça a história de superação e um pouco da trajetória de Oviane dos Santos, o "Malaco P". O cara que superou o abandono, a extrema pobreza, a violência policial e o racismo. Ele tinha tudo para se tornar mais uma vítima do tráfico, mais um número nas estatísticas dos boletins policiais, como ocorreu com a maioria de seus amigos. Ele disse não a tudo isso, pôs em sua mente que seria um homem de bem e, um dia,  conheceria os Estados Unidos da América, para fazer de lá sua morada. 









     
     


















TAMBORES DE ARROZAL - JONGO: uma herança da cultura africana







Jongo, também conhecido como caxambu e corimá, é uma dança de origem africana, praticada ao som de tambores; é uma música, essencialmente rural e foi desenvolvido na região sudeste, que compreende os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo; influenciou, em especial, na formação do samba carioca, e na cultura popular brasileira como um todo. Segundo os jongueiros, como são chamados seus praticantes, o jongo é alma e espírito do samba. O samba, sem dúvida, foi o grande fruto dessa cultura! Com seus tambores, construídos a partir de tronco de árvore e pele de animal, afinados ao calor da fogueira, o Jongo era o ritmo mais tocado no alto das primeiras favelas cariocas. Nas casas dos antigos sambistas e compositores de respeito e, na velha guarda das escolas de samba, havia sempre rodas de Jongo. Do ritual de encontro entre jongueiros, por meio de poesia de improviso a ser decifrada, surgiram os famosos versos de partido-alto e do samba de terreiro, que devem ser criados na hora, pelo improvisador, e respondido pelo desafiante. Uma herança clara das Rodas de Jongo.
São João Batista do Arrozal ou simplesmente Arrozal, é o terceiro distrito do Município de Piraí-RJ, e tratava-se de uma região muito próspera na agricultura; ocupava a mão de obra de, aproximadamente, dez mil negros escravizados nas culturas de arroz, cana de açúcar e café.
Até final do século XIX, o local serviu de entreposto comercial, grande parte da produção agrícola dos municípios paulistas e mineiros, do Vale do Paraíba, escoava por Arrozal, em direção aos portos do Estado do Rio.

Hoje, pouco mais de sete mil pessoas vivem em Arrozal e menos de 1% mantém as tradições de seus ancestrais, oriundas do continente africano, é nessa parcela que o jongo sobrevive.

EXPOSIÇÕES FOTOGRÁFICAS DE EUFRATE ALMEIDA

"RAÍZES AFRICANAS
Nesta mostra foram retratados cinco países do continente africano:



No início da minha carreira como jornalista, decidi conhecer alguns países do continente africano e além da curiosidade, algo mais me preocupava, sabia que a maioria da população brasileira desconhecia a história daquele continente, a existência de grandes cidades, a diversidade de idiomas, a riqueza cultural e a importância da ancestralidade africana no desenvolvimento das culturas no mundo. Frente à oportunidade e a necessidade de conhecer melhor o continente de onde descende a maior população negra do mundo, fora da África, embarquei para o Senegal, depois para Costa do Marfim, Cabo Verde, Gâmbia e Guiné Bissau.
Minhas viagens tinham como objetivo colher informações que suprissem a lacuna deixada pelos livros didáticos brasileiros, pois, a história da África, pouco é contemplada no currículo escolar no Brasil. A invisibilidade do continente africano, no ensino fundamental e médio, é total. Minha preocupação maior era, e ainda é, a maneira com que as crianças recebem as informações – sempre negativas – por parte dos meios de comunicação, enfatizando a miséria, a guerra, as doenças, a fome entre outros males, como se isso não acontecesse em outros lugares do mundo - inclusive no Brasil -, fazendo com que as crianças, jovens e adolescentes neguem sua afrodescendência e sintam-se totalmente desinteressados para o assunto. Parafraseando o professor Henrique Cunha Júnior (Universidade Federal do Ceará), a imagem do africano em nossa sociedade é a do selvagem acorrentado à miséria. Informação essa, de caráter racista, produtora de um imaginário pobre, preconceituoso e brutal, que cria dificuldade em articular um novo raciocínio sobre a história daquele continente.
A missão da qual me propus, foi manter contato com as culturas urbana e rural e, por meio da convivência, retratar o cotidiano, a alegria e a receptividade do povo africano. Com recursos próprios, realizei a viagem com sucesso e trouxe imagens incomuns, passando a exibi-las em exposições, palestras em escolas, associações, entidades classistas, além de ilustrar livros e revistas. Nessas palestras com a apresentação de slides, pude vivenciar o espanto das pessoas quando viram prédios e carros luxuosos, a ponto de certificarem, se realmente as fotos teriam sido feitas na África. O trabalho desenvolvido nas escolas da periferia e em comunidades carentes, serviu para elevar a autoestima das pessoas – a maioria negra – e revelar a realidade positiva do continente africano.




"REMANESCENTES DE QUILOMBO"
Exposição fotográfica retratando o Quilombo Ivaporunduva
situado na cidade de Eldorado, no Vale do Ribeira, Estado de São Paulo. 

A cultura quilombola faz parte da história do Brasil e a proposta desta exposição fotográfica é manter viva na memória dos seus descendentes/herdeiros, a luta pela sobrevivência e a manutenção de seus hábitos e cultura; divulgar a dificuldade que quilombolas enfrentam para permanecer em suas terra, manter o cultivo de sua lavoura e preservarem seus valores étnicos.
Na qualidade de fotógrafo, procurei captar a herança cultural deixada pelos escravos, a fim de divulgar uma realidade desconhecida pela maioria da população brasileira.
A Exposição retrata a memória histórica de um povo que até hoje sofre, com o legado da escravidão, registrando:
Espaço físico-geográfico, os tipos físicos (retratos), a arquitetura em pau-a-pique, mostrando o entrelaçamento de ripas que dá forma às moradias, o trabalho na agricultura de subsistência e a diversidade de utensílios e o rio Ivaporunduva, que em Tupi Guarani significa “árvore de muitos frutos” (único meio de acesso à comunidade).
O Quilombo Ivaporunduva está situado no Município de Eldorado, no Vale do Ribeira, Estado de São Paulo, onde 80 famílias sobrevivem, exclusivamente, da agricultura, pesca e caça artesanal, preservando o equilíbrio ecológico, extraindo o estritamente necessário para o próprio consumo.


"PONTOS DE VISTA"


A Exposição "Pontos de Vista" foi especialmente produzida para as comemorações do Dia da África (25/05), em 2009.    Ficou exposta no mês de maio, no Instituto de Artes da UNESP, Campus São Paulo e revelou aspectos culturais de vários países africanos, sob diferentes pontos de vista.

Informações sobre os países retratados

SENEGAL
Ex-colônia francesa, independente desde 1960, o Senegal é o país mais a oeste da África Ocidental e faz fronteira, ao norte, com a Mauritânia; a leste, com o Mali; ao sul, com a República da Guiné e a Guiné-Bissau; e a oeste, com o Oceano Atlântico. É o mais próximo vizinho de Cabo Verde e possui uma particularidade - a Gâmbia, país de colonização inglesa que se formou ao longo do rio Gâmbia, divide praticamente o seu território em duas partes, constituindo-se em um enclave de fato.
Casamance, local em que foram feitas as fotos rurais desta mostra, região localizada no sul Senegal, entre a Gâmbia, Guiné-Bissau e a República da Guiné, permanece isolada do restante do território do país. A principal conexão se faz pela via marítima. Pela via terrestre, é necessário contornar o rio Gâmbia ou atravessá-lo em barcaças para atingir a Casamance a partir de Dacar, a capital senegalesa.
Casamance, uma denominação provavelmente de origem portuguesa - os portugueses foram os primeiros europeus a se estabelecer na região -, é também o nome do grande rio que a atravessa e faz com que se possam distinguir duas zonas: a Alta Casamance e a Baixa Casamance. A Alta Casamance estende-se desde o norte do rio Casamance até a Gâmbia; a Baixa está situada entre o rio e Guiné-Bissau e a Guiné.
Com paisagens belíssimas, a Casamance é um verdadeiro labirinto de florestas remotas e de manguezais, entrecortado por muitos rios e um braço de mar, onde o meio de transporte tradicional são as pirogas - embarcações talhadas em madeira de uma única árvore. A vegetação exuberante faz com que essa região, única e extraordinária, seja conhecida como “o pulmão do Senegal”. Rica em recursos minerais e naturais, com terras férteis propícias à agricultura e ao cultivo de frutas tropicais como a banana, a manga, o abacaxi e o mamão, a economia da região é predominantemente agrícola. A Casamance é responsável pela produção de metade do arroz, do algodão e do milho do país e por esta razão é também chamada de "celeiro do Senegal".
O conjunto de fotos desse país, além das imagens da aldeia jola, mostra os centros financeiro e comercial de Dacar, com a arquitetura francesa e pessoas nos trajes típicos do país.

MALI - DESERTO DO SAARA E SEUS HABITANTES

Os tuaregues, que significa “Abandonado por Deus”, no idioma tamashek, são povos nômadas e berberes, criadores de gado do Saara Ocidental e Central e do Sahel. Vivem no noroeste africano principalmente no deserto do Saara, do sul da Argélia ao norte de Mali e no lado leste da Nigéria.

Idioma e Religião

Existem oito grupos de tuaregues e todos falam o tamashek, uma língua que pertence ao ramo berbere da família afro-asiática. É falado por cerca de 850.000 pessoas e é escrita em tifinagh (alfabeto não-cursivo que deriva do antigo numidiano). Provavelmente tem parentesco com egípcios e marroquinos, com quem partilham trechos culturais e a religião muçulmana.

Vida

Os homens dedicam-se à pastorícia (ovinos, camelos), aos transportes e ao comércio (sal, tâmaras, peles). São excelentes guias para a atravecia de caravanas pelo deserto.

Vestuário

As mulheres usam véu, os homens (taguelmust) turbante acompanhado de um véu que cobre todo o rosto exceto os olhos, além de fazer parte da cultura, o véu tem a função prática de proteger do sol e das rajadas de areia durante suas viagens.

Alimentação

A alimentação tuaregue é composta por laticínios, carne, hortaliças e peixe.

Moradia

Os tuaregues vivem em tendas de tecidos feitos à mão ou de pele de cabra e dormem em esteiras.

COSTA DO MARFIM

Costa do Marfim (em francês, Côte d'Ivoire) é um país africano, limitado ao norte pelo Mali e por Burkina Faso; a leste por Gana, ao sul pelo Oceano Atlântico, a oeste pela Libéria e pela Guiné. Sua capital é Yamoussoukro.
Denomina-se marfinês, costa-marfinês ou ainda costa-marfinense a quem é natural da Costa do Marfim.
Apesar de se usar em português o nome Costa do Marfim, o governo marfinês solicitou à comunidade internacional, em outubro de 1985, que o país seja chamado apenas por Côte d'Ivoire.
As imagens aqui apresentadas mostram um congresso de líderes regionais, cerimônia de um casamento cristão (católico) e uma confraternização familiar.






O PRECONCEITO PRATICADO NO BRASIL, VISTO POR OUTROS OLHOS.



O PRECONCEITO PRATICADO NO BRASIL, VISTO POR OUTROS OLHOS.

PAULO FREIRE: REFLEXÃO SOBRE DISCRIMINAÇÃO E MACHISMO

Paulo Freire fala de discriminação e machismo relembrando episódio na Tanzânia, igual ao que também passei no Senegal. Reflexão Interessante!


CARLOS JÚNIOR: REPÓRTER DE GUERRA



Esta entrevista revela um pouco do quão corajoso precisa ser um Repórter de Guerra. Carlos Júnior é um fotojornalista diferente daqueles que de tempos em tempos, são convocados para cobrir uma determinada guerra, pois ele convive diariamente com a guerra do tráfico nos morros e favelas do Rio de Janeiro.
Assistindo a esta entrevista, vieram à mente dois filmes representativos: Repórteres de Guerra, protagonizado por Ryan Phillippe, sobre a vida de quatro repórteres enviados à África do Sul, para cobrir as eleições, após o apartheid. E o mais emblemático, Cidade de Deus, quando o garoto Buscapé, interpretado por Alexandre Rodrigues, “acidentalmente” se transforma num repórter fotográfico, cobrindo o dia a dia do morro onde o enredo do filme é desenvolvido, e foi nele que vi a figura de Carlos Júnior. 
Estou falando de um profissional que podemos chamar de um repórter fotográfico completo, pois tem a questão social aflorada em suas atitudes. Sua atuação não se resume aos constantes tiroteios nos morros, pelas suas lentes passam manifestações culturais, sociais e esportivas.  O seu trabalho tem valores inestimáveis, ele criou o projeto social “Visões do Morro”, uma iniciativa que, por meios de oficinas e cursos profissionalizantes, oportuniza o acesso de crianças e jovens de comunidades carentes do Rio de Janeiro, a vivência com a fotografia, distanciando-os do envolvimento com o crime.
Há anos venho acompanhando o trabalho desse exímio fotógrafo e em conversa, por telefone, fiquei deveras orgulhoso em saber que antes de se transformar no brilhante profissional, ele olhava o meu trabalho e desejava fazer algo semelhante. Foi motivo de muito orgulho e satisfação saber que fui fonte de inspiração para a sua formação profissional. 

HISTÓRIA DA CAPOEIRA: A ARTE MARCIAL BRASILEIRA


HISTÓRIA DA CAPOEIRA


ORIGEM DA CAPOEIRA




CAPOEIRA EM TEMPOS ATUAIS


 


 O surgimento da capoeira

A capoeira surgiu entre pessoas africanas escravizadas no Brasil como um grito de liberdade e resistência. Muito mais do que uma luta, ela foi uma estratégia de sobrevivência física, cultural e espiritual diante da violência do sistema escravocrata.

Os africanos, em sua maioria provenientes da região de Angola, foram trazidos à força para o Brasil para trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar como mão de obra escravizada. Segundo Menezes (1976), a vida dessas pessoas sequestradas de seu continente era marcada por trabalho exaustivo, de sol a sol, sob o domínio dos senhores portugueses que exploravam as riquezas brasileiras desde o período colonial.

Ao chegarem à nova terra, os africanos escravizados eram distribuídos entre os senhores, marcados a ferro em brasa como mercadoria e amontoados nas senzalas — espaços insalubres e desumanos. Os colonizadores propositadamente misturavam africanos de diferentes regiões, com línguas, hábitos e tradições distintas, numa tentativa de dificultar a organização coletiva e evitar rebeliões.

Após atravessarem o Atlântico em condições brutais nos navios negreiros, essas pessoas trouxeram como única bagagem suas tradições culturais, religiosas e corporais. Entre elas estavam danças, rituais e formas de luta que mais tarde se transformariam em ferramentas de resistência.

Na África, especialmente na região de Angola, havia práticas corporais conhecidas como “luta das zebras”, que envolviam cabeçadas e chutes e tinham caráter ritual e social. Já no Brasil, privados de armas e submetidos à violência colonial, os africanos transformaram suas danças guerreiras em uma forma de autodefesa disfarçada de expressão cultural.

Observando a natureza — os movimentos dos animais, como marradas, coices, saltos e ataques — e inspirando-se em manifestações culturais africanas, os escravizados passaram a desenvolver uma prática corporal que misturava luta, dança, música e jogo: assim nasceu a capoeira. Ela era praticada nos espaços livres das matas e capoeiras (vegetação rasteira), o que também influenciou seu nome.

Com o tempo, as autoridades coloniais perceberam o potencial de resistência da capoeira e passaram a reprimi-la duramente, rotulando-a como “arte negra” e associando-a à desordem (Santos, 1998).

Em 1888, com a abolição formal da escravidão, milhares de pessoas libertas foram lançadas à própria sorte, sem-terra, emprego ou direitos. Nesse contexto de exclusão social, a capoeira tornou-se um meio de sobrevivência. Alguns ex-escravizados passaram a fazer apresentações em praças públicas para ganhar dinheiro, enquanto outros, marginalizados pelo sistema, a utilizaram em conflitos e atividades ilícitas.

Grupos de marginais brancos também passaram a praticar capoeira, incorporando armas brancas à sua dinâmica, o que contribuiu para reforçar o estigma negativo sobre a prática. Como resultado, formaram-se bandos que assustavam a população urbana.

Em 1890, a capoeira foi oficialmente criminalizada pelo Código Penal da República. O artigo 402 previa prisão para quem praticasse capoeiragem em ruas e praças públicas ou portasse instrumentos capazes de ferir. Segundo Sodré (1983), as punições incluíam prisão na Ilha de Fernando de Noronha e castigos corporais, como chibatadas. Apesar da repressão e do encarceramento de muitos líderes (Areias, 1983), a capoeira sobreviveu e continuou sendo transmitida de geração em geração.

Ela se consolidou principalmente na Bahia, no Rio de Janeiro e em Pernambuco, onde ganhou visibilidade popular e midiática, ainda que sob forte perseguição policial.

Em 1929, com a crise econômica mundial e a chegada de Getúlio Vargas ao poder, o Brasil viveu intensas transformações sociais. Buscando aproximação com o povo, Vargas passou a valorizar certas manifestações culturais populares. Nesse contexto, convidou Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, para uma apresentação no Palácio do Governo.

A partir daí, Vargas autorizou a abertura da primeira academia formal de capoeira, ainda sob um viés folclórico e disciplinador. Para treinar com Mestre Bimba, os alunos precisavam ter carteira de trabalho assinada, numa tentativa de afastar a imagem da capoeira como prática marginal.

Grande parte do conhecimento sobre a capoeira praticada no período escravocrata foi transmitido oralmente, já que, como aponta Sete (1997), documentos oficiais sobre a escravidão foram destruídos por ordem de Rui Barbosa, então Ministro da Fazenda.

Hoje, a capoeira é reconhecida como patrimônio cultural brasileiro e expressão afro-diaspórica de resistência, identidade e criatividade. O que nasceu como instrumento de luta contra a opressão tornou-se uma prática presente no Brasil e no mundo, reunindo milhares de praticantes e admiradores até os dias atuais.

 

O significado de capoeira

Capoeiras eram áreas de vegetação baixa e parcialmente desmatadas onde os africanos escravizados treinavam seus movimentos e golpes. Muito provavelmente, foi desses espaços que surgiu o nome da luta.

Os movimentos da capoeira, marcados por golpes acrobáticos e elementos de dança, foram fundamentais para disfarçar seu caráter de luta. Muitos senhores de engenho acreditavam que se tratava apenas de uma brincadeira ou entretenimento dos escravizados, permitindo sua prática sem perceber seu real propósito de resistência e autodefesa.

Segundo Areias (1983), a ginga — movimento base da capoeira — cumpria papel central nesse disfarce, pois dava à luta um aspecto lúdico, rítmico e aparentemente inofensivo. Assim, por muitos anos, a capoeira funcionou como um instrumento estratégico de proteção e organização dos africanos escravizados.

Instrumentos

As rodas de capoeira são conduzidas pelo som dos instrumentos musicais e pelas palmas dos capoeiristas, criando uma atmosfera de ritmo, diálogo corporal e ancestralidade.

O berimbau, principal instrumento da capoeira, não servia apenas para marcar o ritmo do jogo. Ele também tinha função prática e de vigilância: por meio de seus diferentes toques, podia alertar os capoeiristas sobre a aproximação de um feitor ou autoridade, sinalizando o momento de interromper a luta e transformá-la em dança.

Dessa forma, a musicalidade sempre esteve intrinsecamente ligada à sobrevivência, à estratégia e à cultura da capoeira, reforçando seu caráter simbólico como expressão de resistência afro-brasileira.

 

   Formação da capoeira no Brasil

As primeiras pessoas africanas escravizadas começaram a desembarcar no Brasil por volta de 1548. Ao longo dos três séculos seguintes, a maioria delas pertencia ao tronco linguístico banto, do qual faz parte a língua Kimbundo.

Esse conjunto englobava povos de regiões como Angola, Benguela, Moçambique, Cabinda e Congo. Segundo o antropólogo Oderp Serra, “eram povos organizados em pequenos reinos, com domínio de técnicas agrícolas e uma visão muito plástica e imaginativa da vida, além de grande capacidade de adaptação cultural”.

No Brasil, grupos étnicos que antes eram rivais foram forçados a conviver sob o mesmo regime de escravização. Dessa convivência compulsória nasceu uma cultura afro-brasileira diversa e potente, que deixou marcas profundas na formação cultural do país — especialmente na música, na dança, na religiosidade e nas expressões corporais.

Não há consenso na historiografia recente que comprove que a capoeira tenha origem direta em alguma prática africana específica. O que se pode afirmar com segurança é que ela foi desenvolvida por pessoas africanas escravizadas no Brasil. Portanto, a capoeira é uma criação afro-brasileira legítima e original.

Não é possível determinar com precisão em qual cidade ela surgiu primeiro. Provavelmente, seu desenvolvimento ocorreu de forma simultânea em centros urbanos como Salvador, Recife e Rio de Janeiro. O certo é que a capoeira nasceu como um instrumento de libertação e resistência contra um sistema colonial violento e opressor.

Dentro desse sistema, o homem negro escravizado era tratado como propriedade; os meninos eram chamados de “moleques” e as mulheres escravizadas com filhos eram desumanizadas e comparadas a animais reprodutores. Os registros históricos sugerem que as primeiras manifestações semelhantes à capoeira datam entre 1578 e 1632.

Por isso, o surgimento da capoeira se confunde com a própria história da resistência negra no Brasil. Muitos autores associam seu aparecimento ao surgimento dos primeiros quilombos, especialmente ao Quilombo de Palmares — que chegou a reunir cerca de 50 mil pessoas e foi destruído em 1694 — sendo frequentemente apontado como um dos grandes centros de preservação cultural e resistência negra.

No século XIX, as principais cidades portuárias brasileiras — como Salvador, Recife e Rio de Janeiro — eram grandes aglomerações urbanas marcadas por desigualdade e exploração.

Era comum a presença da figura da pessoa escravizada de ganho: indivíduos autorizados a trabalhar nas ruas vendendo produtos ou prestando serviços, entregando uma parte do que arrecadavam ao seu senhor. Muitos atuavam carregando móveis, mercadorias ou realizando serviços pesados próximos ao porto.

Com o tempo, esses trabalhadores passaram a se organizar em grupos liderados por um “capitão” — geralmente um homem reconhecido por sua habilidade na capoeira e por sua coragem — criando redes de proteção, solidariedade e também de confronto quando necessário.


O Reconhecimento da capoeira

O processo de reconhecimento da capoeira como prática cultural, luta e posteriormente esporte nacional brasileiro foi construído ao longo de décadas e pode ser acompanhado por meio de um verdadeiro calendário histórico.

Em 1907, surgiu um trabalho de autor anônimo, que se identificou apenas pelas iniciais O.D.C. (Ofereço, Dedico e Consagro), intitulado O Guia da Capoeira ou Ginástica Brasileira. Essa obra foi uma das primeiras tentativas de sistematizar e legitimar a capoeira como prática corporal organizada.

Em 1928, Annibal Burlamaqui publicou Ginástica Nacional (Capoeiragem) Metodizada e Regrada, reforçando o esforço de estruturar a capoeira como disciplina física e cultural.

Em 1932, Mestre Bimba fundou, em Salvador, o Centro de Cultura Física e Capoeira Regional, marco fundamental para a institucionalização da capoeira.

Em 1937, esse centro obteve registro oficial, consolidando a capoeira dentro de um espaço formal de ensino.

Em 1942, a Divisão de Educação Física do Ministério da Marinha realizou um inquérito para identificar os melhores elementos para a criação de um método oficial de ensino da capoeira.

Em 1945, Inezil Penna Marinho lançou o livro Subsídios para o Estudo da Metodologia do Treinamento da Capoeiragem, contribuindo para a discussão acadêmica e pedagógica da prática.

Em 1960, Lamartine Pereira da Costa — então oficial da Marinha, formado em Educação Física e instrutor-chefe da Escola de Educação Física da Marinha (CEM-RJ) — publicou a obra clássica Capoeiragem: A Arte da Defesa Pessoal Brasileira.

Em 1968, Waldeloir Rego lançou Capoeira Angola: Ensaio Socioetnográfico, considerado um dos estudos mais completos sobre a tradição da capoeira angola.

Em 1º de janeiro de 1973, entrou em vigor o Regulamento Técnico da Capoeira, que oficializou a prática como Esporte Nacional Brasileiro — um passo decisivo para seu reconhecimento institucional.

Ainda em 1973, em 27 de outubro, foram registradas diversas associações de capoeira no estado do Rio de Janeiro, fortalecendo sua organização coletiva.

Em 14 de julho de 1974, foi fundada a Federação Paulista de Capoeira (FPC).

Em 17 de maio de 1984, foi criada a Liga de Capoeira Cordel Vermelho, em Minas Gerais.

Em 20 de julho de 1984, surgiu a Federação de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro (FCERJ).

Em 21 de abril de 1989, foi fundada a Liga Niteroiense de Capoeira (LINC).

Em 23 de outubro de 1992, nasceu a Confederação Brasileira de Capoeira (CBC), organização nacional de grande relevância para a articulação política e esportiva da capoeira.

Em 13 de maio de 1995, foi criada a Federação de Capoeira Desportiva do Estado do Rio de Janeiro (FCDRJ).

Por fim, em 3 de junho de 1995, foi fundada a Liga Carioca de Capoeira, ampliando ainda mais a organização da prática no estado do Rio de Janeiro.

 

Capoeira nos dias atuais

A capoeira, antes era praticada livremente em espaços abertos, passou a ser treinada formalmente dentro de academias.

Essa transição dos campos, matas e ruas para espaços fechados de ensino não foi a única transformação pela qual a capoeira passou ao longo do tempo. Com sua institucionalização nas academias, algumas características da capoeira praticada nos engenhos e nos quilombos foram adaptadas à nova realidade urbana e pedagógica.

Além de um local fixo para treinamento, foram estabelecidos horários regulares para as aulas. Também foi padronizado um uniforme: calça branca — que simboliza as calças de saco usadas pelos africanos escravizados no trabalho — e um cordel amarrado no lado direito da cintura. Alguns grupos de capoeira Angola, por sua vez, utilizam calça preta como forma de afirmação identitária e tradição.

Atualmente, os capoeiristas se organizam em grupos ou associações, que geralmente carregam nomes ligados à história da resistência negra e à memória da escravidão. Muitos desses grupos utilizam símbolos bordados ou estampados na calça para representar sua identidade coletiva.

Essas associações têm como objetivo principal difundir a capoeira pelo Brasil e pelo mundo. Vários grupos já levaram a capoeira para outros países, contribuindo para sua internacionalização e reconhecimento global como patrimônio cultural afro-brasileiro.

Apesar das diferentes interpretações da capoeira — alguns a abordam de forma mais folclórica, outros enfatizam seu aspecto de luta, há quem priorize o caráter esportivo e quem destaque seu potencial educativo — a maioria dos grupos convive de maneira respeitosa e pacífica.

Como demonstração desse espírito de diálogo e troca, encontros e eventos de capoeira são realizados periodicamente, reunindo mestres, professores e praticantes para compartilhar conhecimentos, experiências e tradições.

 

Concepções da capoeira

A capoeira pode e deve ser ensinada de forma ampla e integrada, permitindo que cada praticante descubra e construa sua própria identificação com uma ou mais de suas dimensões.

Cabe ao professor um papel fundamental nesse processo: orientar, estimular e mediar a aprendizagem para que o aluno desenvolva plenamente suas potencialidades físicas, culturais, emocionais e sociais.

A capoeira pode ser compreendida e praticada a partir das seguintes perspectivas:

Capoeira-Luta

Representa sua origem histórica e sua sobrevivência ao longo do tempo em sua forma mais essencial: como instrumento de defesa pessoal e resistência cultural afro-brasileira. Nessa abordagem, a capoeira deve ser ensinada com foco no combate, na estratégia corporal e na autodefesa.

Capoeira-Dança e Arte

A dimensão artística da capoeira manifesta-se na música, no ritmo, no canto, nos instrumentos e na expressividade corporal dos movimentos.

Além disso, a capoeira é uma rica fonte de inspiração para as artes plásticas, a literatura, o teatro e a dança contemporânea.

Como dança, seu ensino deve explorar a estética do movimento, desenvolvendo flexibilidade, agilidade, destreza, equilíbrio e coordenação motora, além de incentivar a criatividade coreográfica e a satisfação pessoal do praticante.

Capoeira-Folclore

A capoeira é uma expressão legítima da cultura popular brasileira e, como tal, deve ser preservada e valorizada.

Seu ensino precisa envolver tanto a prática corporal quanto o estudo teórico de sua história, símbolos, tradições e ancestralidade africana.

Capoeira-Esporte

Institucionalizada como modalidade esportiva em 1972 pelo Conselho Nacional de Desportos, a capoeira-esporte possui caráter competitivo e exige treinamento sistemático nas dimensões física, técnica e tática.

Nessa perspectiva, o praticante é preparado para desempenho, disciplina e rendimento dentro de regras estabelecidas.

Capoeira-Educação

A capoeira é um poderoso instrumento pedagógico para a formação integral do indivíduo.

Ela contribui para o desenvolvimento físico, emocional e social, fortalece o caráter, estimula a autoestima e favorece mudanças positivas de comportamento.

Além disso, promove o autoconhecimento, a consciência corporal e a reflexão crítica sobre limites e potencialidades pessoais.

Capoeira-Lazer

Manifesta-se nas rodas espontâneas realizadas em praças, escolas, universidades, festas populares e eventos culturais.

Nesses espaços informais, a capoeira funciona como meio de convivência, troca cultural, socialização e celebração coletiva.

Capoeira-Filosofia

Para muitos praticantes, a capoeira vai além do corpo e do movimento: ela se torna uma filosofia de vida.

Seus fundamentos valorizam o respeito ao próximo, a humildade, a ancestralidade e a sabedoria dos mais velhos.

Há capoeiristas que incorporam esses princípios em sua vida cotidiana, adotando a capoeira como referência ética, espiritual e até profissional.

Capoeira-Terapia

O esporte, de modo geral, desempenha papel essencial no desenvolvimento físico e funcional do ser humano. Para pessoas com deficiência, quando praticado com respeito às suas limitações e potencialidades, esse papel torna-se ainda mais significativo.

Nesse contexto, a capoeira vem se destacando não apenas como esporte, mas como prática terapêutica.

Quando aplicada de forma adequada às etapas mentais, cronológicas e motoras de cada indivíduo, a capoeira contribui para:

·        melhora do tônus muscular;

·        aumento da flexibilidade e da amplitude de movimento;

·        aprimoramento da coordenação motora e do equilíbrio;

·        ajuste postural e percepção corporal;

·        desenvolvimento de força e agilidade;

·        redução de tensões emocionais, como medo e agressividade;

·        fortalecimento da socialização e da autoestima.

Assim, a capoeira favorece tanto a saúde física quanto o bem-estar psicológico e social, tornando-se uma ferramenta inclusiva e transformadora.