Esta página foi crida pelo jornalista Eufrate Almeida, a fim de democratizar leituras sobre assuntos de interesse coletivo e divulgar suas atividades, projetos e realizações.
"As atividades que exerço permitem-me uma visão crítica sobre as ações, causas e efeitos da sociedade; impulsionam-me a projetos que disseminem informações sobre os mais variados segmentos e me irmanam aos grupos que tiveram cerceados seus direitos mais elementares".
O Fenômeno do Slalom: Lucas Pinheiro carrega a bandeira e a maior chance
de medalha inédita do Brasil em Olimpíadas de Inverno.
Estamos exatamente no meio dos Jogos de Milão-Cortina 2026
(que ocorrem de 6 a 22 de fevereiro), e o Brasil vive o seu "fim de semana
D" para a conquista da medalha inédita.
O "Fim de Semana de Ouro" (14 e 15 de fevereiro)
O Brasil nunca esteve tão perto de um pódio. Os dois
principais nomes da delegação entram em ação amanhã e depois:
Ele é o protagonista brasileiro absoluto desses jogos. Lucas é
atualmente um dos melhores do mundo.
* Status Atual:
Chegou aos Jogos como vice-líder da Copa do Mundo em duas disciplinas. Já venceu
uma etapa da Copa do Mundo representando o Brasil em 2025 (em Levi, Finlândia).
* Próximas Provas:
* Slalom Gigante:
Amanhã, sábado (14/02), às 6h e 9h30 (horário de Brasília). É a chance mais
real de medalha.
* Slalom:
Segunda-feira (16/02).
* Curiosidade: Ele
competia pela Noruega, mas decidiu representar o Brasil (país de sua mãe) após
um desentendimento com a federação norueguesa. Ele é o porta-bandeira do país
nestes Jogos.
* Status Atual:
Nicole é a 5ª colocada no ranking mundial e vem de resultados consistentes nos
treinos oficiais em Cortina d'Ampezzo, onde figurou no "top 10" em
várias baterias.
* Final: As descidas
decisivas (3 e 4) acontecem amanhã, sábado (14/02), a partir das 14h. Se
mantiver a regularidade da Copa do Mundo, onde conquistou um bronze em janeiro
de 2026 (St. Moritz), ela pode surpreender.
Resultados Já Obtidos em Milão-Cortina
Até hoje (13 de fevereiro), alguns atletas já estrearam:
* Esqui
Cross-Country: Eduarda Ribera e Bruna Moura competiram nos 10km e no Sprint.
Embora longe do pódio, Bruna Moura celebrou o fato de estar competindo após o
grave acidente que a tirou dos Jogos de 2022.
* Snowboard
Halfpipe: Pat Burgener (que também passou a representar o Brasil recentemente)
e Augustinho Teixeira alcançaram os melhores resultados masculinos da história
do Brasil na modalidade (14º e 19º lugares, respectivamente).
Resumo para sua Matéria
* Ponto Central: O
Brasil tem em 2026 a maior delegação da história (14 atletas) e dois candidatos
reais a pódio pela primeira vez (Lucas e Nicole).
* Ineditismo: Uma
medalha nestes Jogos seria a primeira não apenas do Brasil, mas de toda a
América do Sul em Olimpíadas de Inverno.
* Legado: A presença
de atletas como Edson Bindilatti (Bobsled), em sua 6ª e última Olimpíada, marca
a transição para uma nova geração mais competitiva tecnicamente.
O verde e amarelo nunca se sentiu tão à vontade no branco
das montanhas italianas. Exatamente 34 anos após sua estreia em Albertville, o
Brasil chega ao clímax dos Jogos de Milão-Cortina 2026 com o status de
protagonista. Entre a técnica refinada de Lucas Braathen no esqui alpino e a
velocidade explosiva de Nicole Silveira no skeleton, o país deixa de ser apenas
um figurante exótico para se tornar um candidato real ao pódio. O "fim de
semana de ouro" que se inicia amanhã promete ser o divisor de águas que colocará,
finalmente, uma medalha de inverno na galeria de troféus brasileira.
A Dança de Lucas nas Neves de Cortina
O grande nome desta revolução é Lucas Pinheiro Braathen.
Nascido na Noruega, mas com o coração pulsando em samba e feijoada — herança de
sua mãe brasileira —, Lucas não traz apenas técnica; ele traz carisma e uma
identidade visual que rompe com o conservadorismo do esqui alpino. Após um
hiato na carreira por divergências com a federação norueguesa, ele escolheu o
Brasil para seu retorno triunfal.
Líder da Copa do Mundo e favorito absoluto para o Slalom
Gigante neste sábado (14/02), Braathen não compete apenas por um tempo no
cronômetro, mas para provar que a "ginga" brasileira pode, sim,
dominar o gelo.
Nicole Silveira: A Velocidade que Vem do Asfalto
Enquanto Lucas dança entre as estacas, Nicole Silveira
encara a gravidade deitada em um trenó a mais de 130 km/h. Quinta colocada no
ranking mundial, Nicole é o símbolo da resiliência. Atleta que começou no
fisiculturismo e no skeleton encontrou sua verdadeira vocação, ela chega a
Milão-Cortina com a maturidade de quem já sentiu o gosto do pódio em etapas
recentes da Copa do Mundo. Para ela, o gelo não é frio; é o palco de uma vida
de abdicação.
O Impacto Humano: Mais que Metal, uma Identidade
No final das contas, o que está em jogo nas encostas de
Milão-Cortina vai muito além de um disco de metal dourado, prateado ou de
bronze pendurado no pescoço. Para o Brasil, essa medalha representa a validação
de gerações de atletas que treinaram no asfalto quente com esquis de rodinha,
que venderam rifas para pagar passagens e que ouviram, repetidas vezes, que
"brasileiro não combina com neve".
Se Lucas Braathen ou Nicole Silveira subirem ao pódio neste
fim de semana, eles não estarão apenas quebrando um jejum histórico; estarão
entregando um espelho para milhões de jovens brasileiros, mostrando que o
talento deste país não conhece fronteiras climáticas. Uma medalha inédita será
o abraço quente de um país tropical em um inverno que, pela primeira vez,
parece pertencer a nós. O gelo pode ser frio, mas o grito de "é
pódio" que está entalado há três décadas promete incendiar a história do
esporte nacional.
Em sua carreira jornalística, Eufrate realizou mais de 70 exposições fotográficas sobre os
mais variados temas; desenvolveu trabalhos com enfoque sociocultural retratando
paisagens, vida social e cotidiana de povos africanos, em países como: Senegal, Costa do Marfim,
Cabo Verde, Guiné Bissau e Gâmbia; realizou projetos de resgate da memória
histórica dos quilombolas do estado de São Paulo e defendeu a formação de Quilombos, como uma sociedade
política, democrática e economicamente organizada.
Em comunidades carentes, Eufrate tem
realizado projetos pluriculturais utilizando o esporte, a fotografia e os
elementos do hip-hop como ferramenta de resgate da autoestima e de inclusão,
proporcionando uma vida socialmente saudável aos grupos de maior
vulnerabilidade.
Na área esportiva, promoveu torneio de futebol na
China, realizando jogos entre a equipe da Sociedade Esportiva Palmeiras e a Seleção daquele país. Evento que inaugurou
o Taiyuan City Stadium, na Província de Shanxi, zona central da China.
Na educação ele ministra cursos de formação continuada para professores das redes públicas e particulares, em história da África e da cultura afro-brasileira e indígena, atendendo o que preconizam as Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08.
No campo empresarial, Eufrate é fundador e CEO daProduzcultura, empresa realizadora de produções audiovisuais e de eventos esportivos; fomentadora de cultura e executora de projetos educacionais.
OUTRAS ÁREAS DE ATUAÇÃO DE EUFRATE
Presidente do IRVV - Instituto Resgate e Valorização da Vida.
Presidente do IBASA - Instituto Benemérito Angelina Salvatore.
Foi coordenador de esportes na Prefeitura de São Paulo.
Foi coordenador de projetos na Faculdades Zona Leste (FZL).
Atuou como professor titular da Hi Music School, ministrando aulas de Comunicação e Cultura Musical,experiência adquirida em sua vida jornalística, como locutor em programas de rádio, nos anos noventa e dois mil, passando por jornais e revistas, em São Paulo e Rio de Janeiro.
Uma data para refletir sobre o amor
sem raça e o direito à vida digna para todos os cães.
Celebrado
em 31 de julho, o Dia Nacional do Vira-Lata é mais do que uma homenagem
ao carismático cão sem raça definida: é um convite à conscientização, à empatia
e à adoção responsável. Popularmente chamados de “vira-latas”, esses cães
representam a maior parte da população canina abandonada no Brasil e, por isso
mesmo, são símbolo de resistência, lealdade e esperança.
Ao
contrário do que muitos ainda pensam, o vira-lata não é “menos” do que um cão
de raça. Pelo contrário: é justamente na mistura de origens e no olhar
resiliente que se revela um dos amores mais genuínos que alguém pode
experimentar. Eles não têm pedigree, mas têm histórias. Não nasceram em canis premiados,
mas em muitos casos foram forjados nas ruas, nos abrigos, nos resgates –
lugares onde a dor e a esperança se cruzam todos os dias.
De acordo
com ONGs de proteção animal, milhões de cães vivem em situação de abandono no
país. Boa parte deles é sem raça definida, vítima do descaso, da reprodução
descontrolada e do comércio desenfreado de animais. Enquanto isso, pet shops e
criadores continuam a vender filhotes como se fossem mercadorias, muitas vezes
desconsiderando os impactos éticos e sociais dessa prática.
Adoção é
um ato de amor e responsabilidade.
Adotar um cão sem raça é um gesto que salva duas vidas: a do animal e a de quem
decide acolhê-lo. Vira-latas costumam ser inteligentes, resistentes, afetuosos
e profundamente gratos por cada gesto de carinho. Muitos deles esperam anos por
uma chance, presos a grades de abrigos ou vagando pelas ruas, invisíveis aos
olhos de quem só enxerga o “cão perfeito” com pedigree.
Desestimular
a compra de animais é proteger vidas. O comércio de cães, quando feito sem critérios éticos, alimenta o abandono e
explora a fêmea como matriz de reprodução incessante. Adotar, por outro lado, é
romper esse ciclo cruel e escolher ser parte da solução. É entender que o valor
de um cão não está na raça, mas na vida que pulsa nele.
Neste 31
de julho, que a data inspire uma nova forma de olhar para os animais. Que o
vira-lata ganhe o lugar que sempre mereceu: não apenas no quintal ou no sofá,
mas no coração da sociedade.
Porque
amor de verdade não se compra — se adota.
E os vira-latas, mais do que ninguém, sabem amar.
Se puder,
adote. Se não puder, apoie. Denuncie maus-tratos, ajude protetores e
compartilhe essa ideia. A mudança começa com você.
Malaco é um jovem, geralmente de periferia, conhecedor das ruas e
guetos; ele fala gíria com frequência e muitas vezes é alvo das investidas
policiais por ter o estereótipo parecido com o de malandro.
Um dos significados de malaco, é ESPERTO. Costuma-se dizer, que para sobreviver às maldades
e "leis" das favelas e dos guetos das grandes metrópoles, tem que ser
esperto, tem que ser malaco. O que não impede, tratar-se de um jovem honesto,
que vive de seus esforços e de seu trabalho. Conheça a história de superação e um pouco da trajetória de Oviane dos Santos, o "Malaco P". O cara que superou o abandono, a extrema pobreza, a violência policial e o racismo. Ele tinha tudo para se tornar mais uma vítima do tráfico, mais um número nas estatísticas dos boletins policiais, como ocorreu com a maioria de seus amigos. Ele disse não a tudo isso, pôs em sua mente que seria um homem de bem e, um dia, conheceria os Estados Unidos da América, para fazer de lá sua morada.
Jongo, também conhecido como caxambu e
corimá, é uma dança de origem africana, praticada ao som de tambores;
é uma música, essencialmente rural e foi desenvolvido na região sudeste,
que compreende os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito
Santo; influenciou, em especial, na formação do samba carioca, e
na cultura popular brasileira como um todo. Segundo os jongueiros,
como são chamados seus praticantes, o jongo é alma e espírito do samba. O samba, sem
dúvida, foi o grande fruto dessa cultura! Com seus tambores, construídos a
partir de tronco de árvore e pele de animal, afinados ao calor da fogueira, o
Jongo era o ritmo mais tocado no alto das primeiras favelas cariocas. Nas casas
dos antigos sambistas e compositores de respeito e, na velha guarda das escolas
de samba, havia sempre rodas de Jongo. Do ritual de encontro entre jongueiros,
por meio de poesia de improviso a ser decifrada, surgiram os famosos versos de
partido-alto e do samba de terreiro, que devem ser criados na hora, pelo
improvisador, e respondido pelo desafiante. Uma herança clara das Rodas de
Jongo.
São João Batista do Arrozal ou simplesmente Arrozal, é o
terceiro distrito do Município de Piraí-RJ, e tratava-se de uma região muito
próspera na agricultura; ocupava a mão de obra de, aproximadamente, dez mil
negros escravizados nas culturas de arroz, cana de açúcar e café.
Até final do século XIX, o local serviu de entreposto
comercial, grande parte da produção agrícola dos municípios paulistas e
mineiros, do Vale do Paraíba, escoava por Arrozal, em direção aos portos do
Estado do Rio.
Hoje, pouco mais de sete mil pessoas vivem em Arrozal e
menos de 1% mantém as tradições de seus ancestrais, oriundas do continente
africano, é nessa parcela que o jongo sobrevive.
No início da minha carreira como jornalista, decidi conhecer alguns países do continente africano e além da curiosidade, algo mais me preocupava, sabia que a maioria da população brasileira desconhecia a história daquele continente, a existência de grandes cidades, a diversidade de idiomas, a riqueza cultural e a importância da ancestralidade africana no desenvolvimento das culturas no mundo. Frente à oportunidade e a necessidade de conhecer melhor o continente de onde descende a maior população negra do mundo, fora da África, embarquei para o Senegal, depois para Costa do Marfim, Cabo Verde, Gâmbia e Guiné Bissau.
Minhas viagens tinham como objetivo colher informações que suprissem a lacuna deixada pelos livros didáticos brasileiros, pois, a história da África, pouco é contemplada no currículo escolar no Brasil. A invisibilidade do continente africano, no ensino fundamental e médio, é total. Minha preocupação maior era, e ainda é, a maneira com que as crianças recebem as informações – sempre negativas – por parte dos meios de comunicação, enfatizando a miséria, a guerra, as doenças, a fome entre outros males, como se isso não acontecesse em outros lugares do mundo - inclusive no Brasil -, fazendo com que as crianças, jovens e adolescentes neguem sua afrodescendência e sintam-se totalmente desinteressados para o assunto. Parafraseando o professor Henrique Cunha Júnior (Universidade Federal do Ceará), a imagem do africano em nossa sociedade é a do selvagem acorrentado à miséria. Informação essa, de caráter racista, produtora de um imaginário pobre, preconceituoso e brutal, que cria dificuldade em articular um novo raciocínio sobre a história daquele continente.
A missão da qual me propus, foi manter contato com as culturas urbana e rural e, por meio da convivência, retratar o cotidiano, a alegria e a receptividade do povo africano. Com recursos próprios, realizei a viagem com sucesso e trouxe imagens incomuns, passando a exibi-las em exposições, palestras em escolas, associações, entidades classistas, além de ilustrar livros e revistas. Nessas palestras com a apresentação de slides, pude vivenciar o espanto das pessoas quando viram prédios e carros luxuosos, a ponto de certificarem, se realmente as fotos teriam sido feitas na África. O trabalho desenvolvido nas escolas da periferia e em comunidades carentes, serviu para elevar a autoestima das pessoas – a maioria negra – e revelar a realidade positiva do continente africano.
situado na cidade de Eldorado, no Vale do Ribeira, Estado de São Paulo.
A cultura quilombola faz parte da história do Brasil e a proposta desta exposição fotográfica é manter viva na memória dos seus descendentes/herdeiros, a luta pela sobrevivência e a manutenção de seus hábitos e cultura; divulgar a dificuldade que quilombolas enfrentam para permanecer em suas terra, manter o cultivo de sua lavoura e preservarem seus valores étnicos.
Na qualidade de fotógrafo, procurei captar a herança cultural deixada pelos escravos, a fim de divulgar uma realidade desconhecida pela maioria da população brasileira.
A Exposição retrata a memória histórica de um povo que até hoje sofre, com o legado da escravidão, registrando:
Espaço físico-geográfico, os tipos físicos (retratos), a arquitetura em pau-a-pique, mostrando o entrelaçamento de ripas que dá forma às moradias, o trabalho na agricultura de subsistência e a diversidade de utensílios e o rio Ivaporunduva, que em Tupi Guarani significa “árvore de muitos frutos” (único meio de acesso à comunidade).
O Quilombo Ivaporunduva está situado no Município de Eldorado, no Vale do Ribeira, Estado de São Paulo, onde 80 famílias sobrevivem, exclusivamente, da agricultura, pesca e caça artesanal, preservando o equilíbrio ecológico, extraindo o estritamente necessário para o próprio consumo.
"PONTOS DE VISTA"
A Exposição "Pontos de Vista" foi especialmente produzida para as comemorações do Dia da África (25/05), em 2009. Ficou exposta no mês de maio, no Instituto de Artes da UNESP, Campus São Paulo e revelou aspectos culturais de vários países africanos, sob diferentes pontos de vista.
Informações sobre os países retratados
SENEGAL
Ex-colônia francesa, independente desde 1960, o Senegal é o país mais a oeste da África Ocidental e faz fronteira, ao norte, com a Mauritânia; a leste, com o Mali; ao sul, com a República da Guiné e a Guiné-Bissau; e a oeste, com o Oceano Atlântico. É o mais próximo vizinho de Cabo Verde e possui uma particularidade - a Gâmbia, país de colonização inglesa que se formou ao longo do rio Gâmbia, divide praticamente o seu território em duas partes, constituindo-se em um enclave de fato. Casamance, local em que foram feitas as fotos rurais desta mostra, região localizada no sul Senegal, entre a Gâmbia, Guiné-Bissau e a República da Guiné, permanece isolada do restante do território do país. A principal conexão se faz pela via marítima. Pela via terrestre, é necessário contornar o rio Gâmbia ou atravessá-lo em barcaças para atingir a Casamance a partir de Dacar, a capital senegalesa.
Casamance, uma denominação provavelmente de origem portuguesa - os portugueses foram os primeiros europeus a se estabelecer na região -, é também o nome do grande rio que a atravessa e faz com que se possam distinguir duas zonas: a Alta Casamance e a Baixa Casamance. A Alta Casamance estende-se desde o norte do rio Casamance até a Gâmbia; a Baixa está situada entre o rio e Guiné-Bissau e a Guiné.
Com paisagens belíssimas, a Casamance é um verdadeiro labirinto de florestas remotas e de manguezais, entrecortado por muitos rios e um braço de mar, onde o meio de transporte tradicional são as pirogas - embarcações talhadas em madeira de uma única árvore. A vegetação exuberante faz com que essa região, única e extraordinária, seja conhecida como “o pulmão do Senegal”. Rica em recursos minerais e naturais, com terras férteis propícias à agricultura e ao cultivo de frutas tropicais como a banana, a manga, o abacaxi e o mamão, a economia da região é predominantemente agrícola. A Casamance é responsável pela produção de metade do arroz, do algodão e do milho do país e por esta razão é também chamada de "celeiro do Senegal".
O conjunto de fotos desse país, além das imagens da aldeia jola, mostra os centros financeiro e comercial de Dacar, com a arquitetura francesa e pessoas nos trajes típicos do país.
MALI - DESERTO DO SAARA E SEUS HABITANTES
Os tuaregues, que significa “Abandonado por Deus”, no idioma tamashek, são povos nômadas e berberes, criadores de gado do Saara Ocidental e Central e do Sahel. Vivem no noroeste africano principalmente no deserto do Saara, do sul da Argélia ao norte de Mali e no lado leste da Nigéria.
Idioma e Religião
Existem oito grupos de tuaregues e todos falam o tamashek, uma língua que pertence ao ramo berbere da família afro-asiática. É falado por cerca de 850.000 pessoas e é escrita em tifinagh (alfabeto não-cursivo que deriva do antigo numidiano). Provavelmente tem parentesco com egípcios e marroquinos, com quem partilham trechos culturais e a religião muçulmana.
Vida
Os homens dedicam-se à pastorícia (ovinos, camelos), aos transportes e ao comércio (sal, tâmaras, peles). São excelentes guias para a atravecia de caravanas pelo deserto.
Vestuário
As mulheres usam véu, os homens (taguelmust) turbante acompanhado de um véu que cobre todo o rosto exceto os olhos, além de fazer parte da cultura, o véu tem a função prática de proteger do sol e das rajadas de areia durante suas viagens.
Alimentação
A alimentação tuaregue é composta por laticínios, carne, hortaliças e peixe.
Moradia
Os tuaregues vivem em tendas de tecidos feitos à mão ou de pele de cabra e dormem em esteiras.
COSTA DO MARFIM
Costa do Marfim (em francês, Côte d'Ivoire) é um país africano, limitado ao norte pelo Mali e por Burkina Faso; a leste por Gana, ao sul pelo Oceano Atlântico, a oeste pela Libéria e pela Guiné. Sua capital é Yamoussoukro.
Denomina-se marfinês, costa-marfinês ou ainda costa-marfinense a quem é natural da Costa do Marfim.
Apesar de se usar em português o nome Costa do Marfim, o governo marfinês solicitou à comunidade internacional, em outubro de 1985, que o país seja chamado apenas por Côte d'Ivoire.
As imagens aqui apresentadas mostram um congresso de líderes regionais, cerimônia de um casamento cristão (católico) e uma confraternização familiar.
Assistindo a esta entrevista,
vieram à mente dois filmes representativos: Repórteres de Guerra,protagonizado
porRyan Phillippe,sobre a vida de quatro repórteres
enviados àÁfrica do Sul, paracobrir
as eleições,após o apartheid.E
o mais emblemático, Cidade de Deus, quando o garoto Buscapé, interpretado por
Alexandre Rodrigues, “acidentalmente” se transforma num repórter fotográfico,
cobrindo o dia a dia do morro onde o enredo do filme é desenvolvido, e foi nele
que vi a figura de Carlos Júnior.
Estou falando
de um profissional que podemos chamar de um repórter fotográfico completo, pois
tem a questão social aflorada em suas atitudes. Sua atuação não se resume aos
constantes tiroteios nos morros, pelas suas lentes passam manifestações
culturais, sociais e esportivas. O seu trabalho tem valores inestimáveis,
ele criou o projeto social “Visões do Morro”, uma iniciativa que, por meios de
oficinas e cursos profissionalizantes, oportuniza o acesso de crianças e jovens
de comunidades carentes do Rio de Janeiro, a vivência com a fotografia,
distanciando-os do envolvimento com o crime.
Há anos venho
acompanhando o trabalho desse exímio fotógrafo e em conversa, por telefone,
fiquei deveras orgulhoso em saber que antes de se transformar no brilhante
profissional, ele olhava o meu trabalho e desejava fazer algo semelhante. Foi
motivo de muito orgulho e satisfação saber que fui fonte de inspiração para a
sua formação profissional.
A capoeira surgiu entre pessoas africanas
escravizadas no Brasil como um grito de liberdade e resistência. Muito mais do
que uma luta, ela foi uma estratégia de sobrevivência física, cultural e
espiritual diante da violência do sistema escravocrata.
Os africanos, em sua maioria provenientes da região
de Angola, foram trazidos à força para o Brasil para trabalhar nas lavouras de
cana-de-açúcar como mão de obra escravizada. Segundo Menezes (1976), a vida
dessas pessoas sequestradas de seu continente era marcada por trabalho
exaustivo, de sol a sol, sob o domínio dos senhores portugueses que exploravam
as riquezas brasileiras desde o período colonial.
Ao chegarem à nova terra, os africanos escravizados
eram distribuídos entre os senhores, marcados a ferro em brasa como mercadoria
e amontoados nas senzalas — espaços insalubres e desumanos. Os colonizadores
propositadamente misturavam africanos de diferentes regiões, com línguas,
hábitos e tradições distintas, numa tentativa de dificultar a organização
coletiva e evitar rebeliões.
Após atravessarem o Atlântico em condições brutais
nos navios negreiros, essas pessoas trouxeram como única bagagem suas tradições
culturais, religiosas e corporais. Entre elas estavam danças, rituais e formas
de luta que mais tarde se transformariam em ferramentas de resistência.
Na África, especialmente na região de Angola, havia
práticas corporais conhecidas como “luta das zebras”, que envolviam cabeçadas e
chutes e tinham caráter ritual e social. Já no Brasil, privados de armas e
submetidos à violência colonial, os africanos transformaram suas danças
guerreiras em uma forma de autodefesa disfarçada de expressão cultural.
Observando a natureza — os movimentos dos animais,
como marradas, coices, saltos e ataques — e inspirando-se em manifestações
culturais africanas, os escravizados passaram a desenvolver uma prática
corporal que misturava luta, dança, música e jogo: assim nasceu a capoeira. Ela
era praticada nos espaços livres das matas e capoeiras (vegetação rasteira), o
que também influenciou seu nome.
Com o tempo, as autoridades coloniais perceberam o
potencial de resistência da capoeira e passaram a reprimi-la duramente,
rotulando-a como “arte negra” e associando-a à desordem (Santos, 1998).
Em 1888, com a abolição formal da escravidão,
milhares de pessoas libertas foram lançadas à própria sorte, sem-terra, emprego
ou direitos. Nesse contexto de exclusão social, a capoeira tornou-se um meio de
sobrevivência. Alguns ex-escravizados passaram a fazer apresentações em praças
públicas para ganhar dinheiro, enquanto outros, marginalizados pelo sistema, a
utilizaram em conflitos e atividades ilícitas.
Grupos de marginais brancos também passaram a
praticar capoeira, incorporando armas brancas à sua dinâmica, o que contribuiu
para reforçar o estigma negativo sobre a prática. Como resultado, formaram-se
bandos que assustavam a população urbana.
Em 1890, a capoeira foi oficialmente criminalizada
pelo Código Penal da República. O artigo 402 previa prisão para quem praticasse
capoeiragem em ruas e praças públicas ou portasse instrumentos capazes de
ferir. Segundo Sodré (1983), as punições incluíam prisão na Ilha de Fernando de
Noronha e castigos corporais, como chibatadas. Apesar da repressão e do
encarceramento de muitos líderes (Areias, 1983), a capoeira sobreviveu e
continuou sendo transmitida de geração em geração.
Ela se consolidou principalmente na Bahia, no Rio
de Janeiro e em Pernambuco, onde ganhou visibilidade popular e midiática, ainda
que sob forte perseguição policial.
Em 1929, com a crise econômica mundial e a chegada
de Getúlio Vargas ao poder, o Brasil viveu intensas transformações sociais.
Buscando aproximação com o povo, Vargas passou a valorizar certas manifestações
culturais populares. Nesse contexto, convidou Manoel dos Reis Machado, o Mestre
Bimba, para uma apresentação no Palácio do Governo.
A partir daí, Vargas autorizou a abertura da
primeira academia formal de capoeira, ainda sob um viés folclórico e
disciplinador. Para treinar com Mestre Bimba, os alunos precisavam ter carteira
de trabalho assinada, numa tentativa de afastar a imagem da capoeira como
prática marginal.
Grande parte do conhecimento sobre a capoeira
praticada no período escravocrata foi transmitido oralmente, já que, como
aponta Sete (1997), documentos oficiais sobre a escravidão foram destruídos por
ordem de Rui Barbosa, então Ministro da Fazenda.
Hoje, a capoeira é reconhecida como patrimônio
cultural brasileiro e expressão afro-diaspórica de resistência, identidade e
criatividade. O que nasceu como instrumento de luta contra a opressão tornou-se
uma prática presente no Brasil e no mundo, reunindo milhares de praticantes e
admiradores até os dias atuais.
O significado de capoeira
Capoeiras
eram áreas de vegetação baixa e parcialmente desmatadas onde os africanos escravizados
treinavam seus movimentos e golpes. Muito provavelmente, foi desses espaços que
surgiu o nome da luta.
Os
movimentos da capoeira, marcados por golpes acrobáticos e elementos de dança,
foram fundamentais para disfarçar seu caráter de luta. Muitos senhores de
engenho acreditavam que se tratava apenas de uma brincadeira ou entretenimento
dos escravizados, permitindo sua prática sem perceber seu real propósito de
resistência e autodefesa.
Segundo
Areias (1983), a ginga — movimento base da capoeira — cumpria papel central
nesse disfarce, pois dava à luta um aspecto lúdico, rítmico e aparentemente
inofensivo. Assim, por muitos anos, a capoeira funcionou como um instrumento
estratégico de proteção e organização dos africanos escravizados.
Instrumentos
As
rodas de capoeira são conduzidas pelo som dos instrumentos musicais e pelas
palmas dos capoeiristas, criando uma atmosfera de ritmo, diálogo corporal e
ancestralidade.
O
berimbau, principal instrumento da capoeira, não servia apenas para marcar o
ritmo do jogo. Ele também tinha função prática e de vigilância: por meio de
seus diferentes toques, podia alertar os capoeiristas sobre a aproximação de um
feitor ou autoridade, sinalizando o momento de interromper a luta e
transformá-la em dança.
Dessa
forma, a musicalidade sempre esteve intrinsecamente ligada à sobrevivência, à
estratégia e à cultura da capoeira, reforçando seu caráter simbólico como
expressão de resistência afro-brasileira.
Formação da capoeira no Brasil
As primeiras pessoas africanas escravizadas
começaram a desembarcar no Brasil por volta de 1548. Ao longo dos três séculos
seguintes, a maioria delas pertencia ao tronco linguístico banto, do qual faz
parte a língua Kimbundo.
Esse conjunto englobava povos de regiões como
Angola, Benguela, Moçambique, Cabinda e Congo. Segundo o antropólogo Oderp
Serra, “eram povos organizados em pequenos reinos, com domínio de técnicas
agrícolas e uma visão muito plástica e imaginativa da vida, além de grande
capacidade de adaptação cultural”.
No Brasil, grupos étnicos que antes eram rivais
foram forçados a conviver sob o mesmo regime de escravização. Dessa convivência
compulsória nasceu uma cultura afro-brasileira diversa e potente, que deixou
marcas profundas na formação cultural do país — especialmente na música, na
dança, na religiosidade e nas expressões corporais.
Não há consenso na historiografia recente que
comprove que a capoeira tenha origem direta em alguma prática africana
específica. O que se pode afirmar com segurança é que ela foi desenvolvida por
pessoas africanas escravizadas no Brasil. Portanto, a capoeira é uma criação
afro-brasileira legítima e original.
Não é possível determinar com precisão em qual
cidade ela surgiu primeiro. Provavelmente, seu desenvolvimento ocorreu de forma
simultânea em centros urbanos como Salvador, Recife e Rio de Janeiro. O certo é
que a capoeira nasceu como um instrumento de libertação e resistência contra um
sistema colonial violento e opressor.
Dentro desse sistema, o homem negro escravizado era
tratado como propriedade; os meninos eram chamados de “moleques” e as mulheres
escravizadas com filhos eram desumanizadas e comparadas a animais reprodutores.
Os registros históricos sugerem que as primeiras manifestações semelhantes à
capoeira datam entre 1578 e 1632.
Por isso, o surgimento da capoeira se confunde com
a própria história da resistência negra no Brasil. Muitos autores associam seu
aparecimento ao surgimento dos primeiros quilombos, especialmente ao Quilombo
de Palmares — que chegou a reunir cerca de 50 mil pessoas e foi destruído em
1694 — sendo frequentemente apontado como um dos grandes centros de preservação
cultural e resistência negra.
No século XIX, as principais cidades portuárias
brasileiras — como Salvador, Recife e Rio de Janeiro — eram grandes
aglomerações urbanas marcadas por desigualdade e exploração.
Era comum a presença da figura da pessoa
escravizada de ganho: indivíduos autorizados a trabalhar nas ruas vendendo
produtos ou prestando serviços, entregando uma parte do que arrecadavam ao seu
senhor. Muitos atuavam carregando móveis, mercadorias ou realizando serviços
pesados próximos ao porto.
Com o tempo, esses trabalhadores passaram a se
organizar em grupos liderados por um “capitão” — geralmente um homem
reconhecido por sua habilidade na capoeira e por sua coragem — criando redes de
proteção, solidariedade e também de confronto quando necessário.
O Reconhecimento da capoeira
O processo de reconhecimento da capoeira como
prática cultural, luta e posteriormente esporte nacional brasileiro foi
construído ao longo de décadas e pode ser acompanhado por meio de um verdadeiro
calendário histórico.
Em 1907, surgiu um trabalho de autor anônimo, que
se identificou apenas pelas iniciais O.D.C. (Ofereço, Dedico e Consagro),
intitulado O Guia da Capoeira ou Ginástica Brasileira. Essa obra foi uma
das primeiras tentativas de sistematizar e legitimar a capoeira como prática
corporal organizada.
Em 1928, Annibal Burlamaqui publicou Ginástica
Nacional (Capoeiragem) Metodizada e Regrada, reforçando o esforço de
estruturar a capoeira como disciplina física e cultural.
Em 1932, Mestre Bimba fundou, em Salvador, o Centro
de Cultura Física e Capoeira Regional, marco fundamental para a institucionalização
da capoeira.
Em 1937, esse centro obteve registro oficial,
consolidando a capoeira dentro de um espaço formal de ensino.
Em 1942, a Divisão de Educação Física do Ministério
da Marinha realizou um inquérito para identificar os melhores elementos para a
criação de um método oficial de ensino da capoeira.
Em 1945, Inezil Penna Marinho lançou o livro Subsídios
para o Estudo da Metodologia do Treinamento da Capoeiragem, contribuindo
para a discussão acadêmica e pedagógica da prática.
Em 1960, Lamartine Pereira da Costa — então oficial
da Marinha, formado em Educação Física e instrutor-chefe da Escola de Educação
Física da Marinha (CEM-RJ) — publicou a obra clássica Capoeiragem: A Arte da
Defesa Pessoal Brasileira.
Em 1968, Waldeloir Rego lançou Capoeira Angola:
Ensaio Socioetnográfico, considerado um dos estudos mais completos sobre a
tradição da capoeira angola.
Em 1º de janeiro de 1973, entrou em vigor o
Regulamento Técnico da Capoeira, que oficializou a prática como Esporte
Nacional Brasileiro — um passo decisivo para seu reconhecimento
institucional.
Ainda em 1973, em 27 de outubro, foram
registradas diversas associações de capoeira no estado do Rio de Janeiro,
fortalecendo sua organização coletiva.
Em 14 de julho de 1974, foi fundada a Federação
Paulista de Capoeira (FPC).
Em 17 de maio de 1984, foi criada a Liga
de Capoeira Cordel Vermelho, em Minas Gerais.
Em 20 de julho de 1984, surgiu a Federação
de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro (FCERJ).
Em 21 de abril de 1989, foi fundada a Liga
Niteroiense de Capoeira (LINC).
Em 23 de outubro de 1992, nasceu a Confederação
Brasileira de Capoeira (CBC), organização nacional de grande relevância
para a articulação política e esportiva da capoeira.
Em 13 de maio de 1995, foi criada a Federação
de Capoeira Desportiva do Estado do Rio de Janeiro (FCDRJ).
Por fim, em 3 de junho de 1995, foi fundada
a Liga Carioca de Capoeira, ampliando ainda mais a organização da
prática no estado do Rio de Janeiro.
Capoeira nos dias atuais
A
capoeira, antes era praticada livremente em
espaços abertos, passou a ser treinada formalmente dentro de academias.
Essa
transição dos campos, matas e ruas para espaços fechados de ensino não foi a
única transformação pela qual a capoeira passou ao longo do tempo. Com sua
institucionalização nas academias, algumas características da capoeira
praticada nos engenhos e nos quilombos foram adaptadas à nova realidade urbana
e pedagógica.
Além
de um local fixo para treinamento, foram estabelecidos horários regulares para
as aulas. Também foi padronizado um uniforme: calça branca — que simboliza as
calças de saco usadas pelos africanos escravizados no trabalho — e um cordel
amarrado no lado direito da cintura. Alguns grupos de capoeira Angola, por sua
vez, utilizam calça preta como forma de afirmação identitária e tradição.
Atualmente,
os capoeiristas se organizam em grupos ou associações, que geralmente carregam
nomes ligados à história da resistência negra e à memória da escravidão. Muitos
desses grupos utilizam símbolos bordados ou estampados na calça para
representar sua identidade coletiva.
Essas
associações têm como objetivo principal difundir a capoeira pelo Brasil e pelo
mundo. Vários grupos já levaram a capoeira para outros países, contribuindo
para sua internacionalização e reconhecimento global como patrimônio cultural
afro-brasileiro.
Apesar
das diferentes interpretações da capoeira — alguns a abordam de forma mais
folclórica, outros enfatizam seu aspecto de luta, há quem priorize o caráter
esportivo e quem destaque seu potencial educativo — a maioria dos grupos
convive de maneira respeitosa e pacífica.
Como
demonstração desse espírito de diálogo e troca, encontros e eventos de capoeira
são realizados periodicamente, reunindo mestres, professores e praticantes para
compartilhar conhecimentos, experiências e tradições.
Concepções da capoeira
A
capoeira pode e deve ser ensinada de forma ampla e integrada, permitindo que
cada praticante descubra e construa sua própria identificação com uma ou mais
de suas dimensões.
Cabe
ao professor um papel fundamental nesse processo: orientar, estimular e mediar
a aprendizagem para que o aluno desenvolva plenamente suas potencialidades
físicas, culturais, emocionais e sociais.
A
capoeira pode ser compreendida e praticada a partir das seguintes perspectivas:
Capoeira-Luta
Representa
sua origem histórica e sua sobrevivência ao longo do tempo em sua forma mais
essencial: como instrumento de defesa pessoal e resistência cultural
afro-brasileira. Nessa abordagem, a capoeira deve ser ensinada com foco no
combate, na estratégia corporal e na autodefesa.
Capoeira-Dança e Arte
A
dimensão artística da capoeira manifesta-se na música, no ritmo, no canto, nos
instrumentos e na expressividade corporal dos movimentos.
Além
disso, a capoeira é uma rica fonte de inspiração para as artes plásticas, a
literatura, o teatro e a dança contemporânea.
Como
dança, seu ensino deve explorar a estética do movimento, desenvolvendo
flexibilidade, agilidade, destreza, equilíbrio e coordenação motora, além de
incentivar a criatividade coreográfica e a satisfação pessoal do praticante.
Capoeira-Folclore
A
capoeira é uma expressão legítima da cultura popular brasileira e, como tal,
deve ser preservada e valorizada.
Seu
ensino precisa envolver tanto a prática corporal quanto o estudo teórico de sua
história, símbolos, tradições e ancestralidade africana.
Capoeira-Esporte
Institucionalizada
como modalidade esportiva em 1972 pelo Conselho Nacional de Desportos, a
capoeira-esporte possui caráter competitivo e exige treinamento sistemático nas
dimensões física, técnica e tática.
Nessa
perspectiva, o praticante é preparado para desempenho, disciplina e rendimento
dentro de regras estabelecidas.
Capoeira-Educação
A
capoeira é um poderoso instrumento pedagógico para a formação integral do
indivíduo.
Ela
contribui para o desenvolvimento físico, emocional e social, fortalece o
caráter, estimula a autoestima e favorece mudanças positivas de comportamento.
Além
disso, promove o autoconhecimento, a consciência corporal e a reflexão crítica
sobre limites e potencialidades pessoais.
Capoeira-Lazer
Manifesta-se
nas rodas espontâneas realizadas em praças, escolas, universidades, festas
populares e eventos culturais.
Nesses
espaços informais, a capoeira funciona como meio de convivência, troca
cultural, socialização e celebração coletiva.
Capoeira-Filosofia
Para
muitos praticantes, a capoeira vai além do corpo e do movimento: ela se torna
uma filosofia de vida.
Seus
fundamentos valorizam o respeito ao próximo, a humildade, a ancestralidade e a
sabedoria dos mais velhos.
Há
capoeiristas que incorporam esses princípios em sua vida cotidiana, adotando a
capoeira como referência ética, espiritual e até profissional.
Capoeira-Terapia
O
esporte, de modo geral, desempenha papel essencial no desenvolvimento físico e
funcional do ser humano. Para pessoas com deficiência, quando praticado com
respeito às suas limitações e potencialidades, esse papel torna-se ainda mais
significativo.
Nesse
contexto, a capoeira vem se destacando não apenas como esporte, mas como
prática terapêutica.
Quando
aplicada de forma adequada às etapas mentais, cronológicas e motoras de cada
indivíduo, a capoeira contribui para:
·melhora
do tônus muscular;
·aumento
da flexibilidade e da amplitude de movimento;
·aprimoramento
da coordenação motora e do equilíbrio;
·ajuste
postural e percepção corporal;
·desenvolvimento
de força e agilidade;
·redução
de tensões emocionais, como medo e agressividade;
·fortalecimento
da socialização e da autoestima.
Assim,
a capoeira favorece tanto a saúde física quanto o bem-estar psicológico e
social, tornando-se uma ferramenta inclusiva e transformadora.