O Fenômeno do Slalom: Lucas Pinheiro carrega a bandeira e a maior chance
de medalha inédita do Brasil em Olimpíadas de Inverno.
Estamos exatamente no meio dos Jogos de Milão-Cortina 2026 (que ocorrem de 6 a 22 de fevereiro), e o Brasil vive o seu "fim de semana D" para a conquista da medalha inédita.
O "Fim de Semana de Ouro" (14 e 15 de fevereiro)
O Brasil nunca esteve tão perto de um pódio. Os dois
principais nomes da delegação entram em ação amanhã e depois:
1. Lucas Pinheiro Braathen (Esqui Alpino)
Ele é o protagonista brasileiro absoluto desses jogos. Lucas é
atualmente um dos melhores do mundo.
* Status Atual:
Chegou aos Jogos como vice-líder da Copa do Mundo em duas disciplinas. Já venceu
uma etapa da Copa do Mundo representando o Brasil em 2025 (em Levi, Finlândia).
* Próximas Provas:
* Slalom Gigante:
Amanhã, sábado (14/02), às 6h e 9h30 (horário de Brasília). É a chance mais
real de medalha.
* Slalom:
Segunda-feira (16/02).
* Curiosidade: Ele
competia pela Noruega, mas decidiu representar o Brasil (país de sua mãe) após
um desentendimento com a federação norueguesa. Ele é o porta-bandeira do país
nestes Jogos.
2. Nicole Silveira (Skeleton)
* Status Atual:
Nicole é a 5ª colocada no ranking mundial e vem de resultados consistentes nos
treinos oficiais em Cortina d'Ampezzo, onde figurou no "top 10" em
várias baterias.
* Final: As descidas
decisivas (3 e 4) acontecem amanhã, sábado (14/02), a partir das 14h. Se
mantiver a regularidade da Copa do Mundo, onde conquistou um bronze em janeiro
de 2026 (St. Moritz), ela pode surpreender.
Resultados Já Obtidos em Milão-Cortina
Até hoje (13 de fevereiro), alguns atletas já estrearam:
* Esqui
Cross-Country: Eduarda Ribera e Bruna Moura competiram nos 10km e no Sprint.
Embora longe do pódio, Bruna Moura celebrou o fato de estar competindo após o
grave acidente que a tirou dos Jogos de 2022.
* Snowboard
Halfpipe: Pat Burgener (que também passou a representar o Brasil recentemente)
e Augustinho Teixeira alcançaram os melhores resultados masculinos da história
do Brasil na modalidade (14º e 19º lugares, respectivamente).
Resumo para sua Matéria
* Ponto Central: O
Brasil tem em 2026 a maior delegação da história (14 atletas) e dois candidatos
reais a pódio pela primeira vez (Lucas e Nicole).
* Ineditismo: Uma
medalha nestes Jogos seria a primeira não apenas do Brasil, mas de toda a
América do Sul em Olimpíadas de Inverno.
* Legado: A presença
de atletas como Edson Bindilatti (Bobsled), em sua 6ª e última Olimpíada, marca
a transição para uma nova geração mais competitiva tecnicamente.
A Dança de Lucas nas Neves de Cortina
O grande nome desta revolução é Lucas Pinheiro Braathen.
Nascido na Noruega, mas com o coração pulsando em samba e feijoada — herança de
sua mãe brasileira —, Lucas não traz apenas técnica; ele traz carisma e uma
identidade visual que rompe com o conservadorismo do esqui alpino. Após um
hiato na carreira por divergências com a federação norueguesa, ele escolheu o
Brasil para seu retorno triunfal.
Líder da Copa do Mundo e favorito absoluto para o Slalom
Gigante neste sábado (14/02), Braathen não compete apenas por um tempo no
cronômetro, mas para provar que a "ginga" brasileira pode, sim,
dominar o gelo.
Nicole Silveira: A Velocidade que Vem do Asfalto
Enquanto Lucas dança entre as estacas, Nicole Silveira
encara a gravidade deitada em um trenó a mais de 130 km/h. Quinta colocada no
ranking mundial, Nicole é o símbolo da resiliência. Atleta que começou no
fisiculturismo e no skeleton encontrou sua verdadeira vocação, ela chega a
Milão-Cortina com a maturidade de quem já sentiu o gosto do pódio em etapas
recentes da Copa do Mundo. Para ela, o gelo não é frio; é o palco de uma vida
de abdicação.
O Impacto Humano: Mais que Metal, uma Identidade
No final das contas, o que está em jogo nas encostas de
Milão-Cortina vai muito além de um disco de metal dourado, prateado ou de
bronze pendurado no pescoço. Para o Brasil, essa medalha representa a validação
de gerações de atletas que treinaram no asfalto quente com esquis de rodinha,
que venderam rifas para pagar passagens e que ouviram, repetidas vezes, que
"brasileiro não combina com neve".
Se Lucas Braathen ou Nicole Silveira subirem ao pódio neste
fim de semana, eles não estarão apenas quebrando um jejum histórico; estarão
entregando um espelho para milhões de jovens brasileiros, mostrando que o
talento deste país não conhece fronteiras climáticas. Uma medalha inédita será
o abraço quente de um país tropical em um inverno que, pela primeira vez,
parece pertencer a nós. O gelo pode ser frio, mas o grito de "é
pódio" que está entalado há três décadas promete incendiar a história do
esporte nacional.
Por: Eufrate Almeida