Ouro na Neve: Lucas Pinheiro Braathen Escreve o
Capítulo Mais Gelado e Glorioso da História Brasileira
A Descida da
Imortalidade
Disputada no
desafiador Centro de Esqui Stelvio, a prova foi decidida nos detalhes. Lucas,
que já havia feito o melhor tempo na primeira descida (1:13.92), manteve a
frieza técnica e a agressividade necessária na segunda bateria. Com um tempo
total somado de 2:25.00, ele desbancou favoritos como o suíço Marco Odermatt,
consolidando-se como o maior fenômeno dos esportes de neve que o país já viu.
A vitória é um
marco para um país tropical que, apesar de não possuir neve, encontrou em Lucas
o embaixador perfeito para provar que o "espírito brasileiro" não tem
temperatura ideal.
Do Futebol de Rua ao Topo do Mundo
A trajetória de
Lucas é um roteiro digno de cinema. Filho de pai norueguês e mãe brasileira,
ele nasceu em Oslo, mas sua essência foi forjada nas ruas de São Paulo. Foi
jogando futebol com os amigos e primos no Brasil que ele desenvolveu seu amor
pelo esporte e a "ginga" que hoje aplica nas curvas fechadas das montanhas.
"O Brasil
está em todos os cantos do mundo. Agora, nas montanhas também. Quero trazer
esse jeito brasileiro, essa atmosfera e essa alegria para um esporte que muitas
vezes é sério demais. Essa energia é o que me move", declarou o campeão,
visivelmente emocionado, logo após a confirmação do título.
Um Relato sobre o "Pinheiro"
Lucas não
carrega o sobrenome Pinheiro apenas no documento; ele o vive. Mesmo tendo
crescido na Noruega, ele optou por abdicar da poderosa federação norueguesa
para representar as cores de sua mãe. Ele é o atleta que não abre mão do pão de
queijo e do guaraná assim que pisa em solo brasileiro e que se inspira na
liberdade criativa de ídolos como Ronaldinho Gaúcho para "driblar" as
portas no gelo.
Sua decisão de
competir pelo Brasil foi movida pelo desejo de inspirar 200 milhões de pessoas
a acreditarem no impossível. Hoje, ao beijar a medalha de ouro com o verde e
amarelo no peito, ele provou que o Brasil, o país do sol, também aprendeu a
brilhar no gelo.
Por: Eufrate Almeida
