O Rugido do Silêncio: Até quando Vini Jr. terá que enfrentar a covardia sozinho?
O novo episódio ocorrido em 17 de fevereiro de 2026, no Estádio da Luz, onde o argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, foi acusado de proferir ofensas racistas contra Vini Jr. — com o testemunho de Mbappé, que relatou ter ouvido o insulto "macaco" cinco vezes — exige uma resposta à altura do crime cometido.
O placar de 1 a 0 para o Real Madrid
na Champions League deveria ser a manchete principal, mas o futebol foi
novamente nocauteado pela barbárie. Em Lisboa, o que se viu foi a repetição de
um roteiro vil: o talento negro é punido pela sua própria alegria. Vini Jr., o
garoto que dança e encanta, foi alvo de insultos racistas vindos de um colega
de profissão, o argentino Gianluca Prestianni.
Desta vez, no entanto, o silêncio não
foi a resposta. Kylian Mbappé, com a altivez de um líder, não permitiu que a
ofensa passasse impune. Ele ouviu. Não uma, mas cinco vezes o termo
"macaco" sair da boca de quem deveria respeitar o jogo. Mbappé
interveio, confrontou o agressor e expôs a covardia que tenta se esconder atrás
da gola da camisa.
A Anatomia de um Crime: O que significa chamar um negro de
"macaco"?
Chamar uma pessoa negra de
"macaco" não é um "xingamento de jogo" ou uma provocação de
campo. É um ato de desumanização profunda.
Cientificamente e historicamente, esse termo foi a ferramenta predileta do
racismo científico do século XIX para tentar justificar a escravidão e o
colonialismo.
Ao associar o negro ao animal, o
racista retira do indivíduo sua condição de humano. Se ele não é humano, ele
não tem direitos, não tem dor e não merece respeito.
No passado, teóricos racistas
comparavam crânios e feições para sugerir que negros estariam "mais
próximos" dos primatas do que dos europeus. Essa ideia foi a base para as
maiores atrocidades da história da humanidade.Como o próprio Vini denunciou, o
agressor usa a camisa para tapar a boca, tentando fugir da leitura labial. É a
imagem perfeita da fraqueza: o racismo é, por definição, covarde. Ele precisa
das sombras para atacar.
Chega de Notas de Repúdio: O Futebol exige Justiça Efetiva
As instituições como a UEFA e a FIFA
não podem mais se esconder atrás de multas que são "trocos" para
clubes bilionários. O protocolo de três etapas é um começo, mas o futebol
precisa de medidas que doam onde o racismo se fortalece: na impunidade.
Se um jogador ou torcida pratica
racismo, o time deveria ser suspenso de competições. A perda de pontos e a
exclusão de campeonatos como a Champions League são as únicas linguagens que o
mercado do futebol entende.
Torcedores identificados não deveriam
apenas pagar multas; eles deveriam ser banidos para sempre dos estádios. O
direito de assistir ao espetáculo deveria ser retirado de quem não sabe viver
em civilização.
Racismo é crime no Brasil e isso
deveria ser considerado no resto do mundo, ou no mínimo, no mundo dos esportes.
Jogadores que o praticam dentro de campo deveriam ser tratados como criminosos,
com processos judiciais que ultrapassassem as esferas esportivas, como aqui.
Vini Jr. não é um alvo. Ele é um
espelho que reflete a feiura de uma sociedade que se recusa a evoluir. Apoiar
Vini não é apenas torcer por um jogador, é escolher o lado da dignidade humana.
Em 2025, a FIFA endureceu seu Código
Disciplinar, permitindo derrotas por WO para clubes envolvidos em casos de
racismo. Este novo caso em 2026 é o teste definitivo para saber se essas regras
sairão do papel.
Por Eufrate Almeida
