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Vozes Negras e Literatura: Maju Coutinho é Homenageada com Nova Biblioteca na Pequena África


No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a região da Gamboa ganha um novo espaço de incentivo à leitura, fomento à educação antirracista e preservação da memória.


Rio de Janeiro — Em um gesto marcante de celebração à cultura e à representatividade, o Centro do Rio de Janeiro ganhou um novo polo de incentivo ao conhecimento. Inaugurada no dia 25 de julho de 2026, a mais nova biblioteca comunitária da cidade leva o nome da jornalista e apresentadora Maria Júlia Coutinho, a Maju.

Sediado no CEAP (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas), no tradicional bairro da Gamboa — coração do território histórico conhecido como Pequena África —, o espaço nasce com a missão de democratizar o acesso aos livros e fortalecer narrativas historicamente silenciadas.

Leitura, Memória e Antirracismo

Idealizado pelo projeto Favelivro em parceria com o CEAP e com o apoio do Instituto Rio Memórias, o novo equipamento cultural busca ser mais do que um acervo de livros: pretende se consolidar como um ponto de encontro comunitário, focado na educação antirracista e na valorização da memória e do protagonismo negro.

A escolha do local e da data carrega uma forte carga simbólica:

O Território: A Gamboa e a região portuária do Rio carregam a ancestralidade e a resistência da população negra da capital fluminense.

A Data: O corte da fita inaugural ocorreu em 25 de julho, data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela.

"Trata-se de ocupar a cidade com literatura, história e afeto. Homenagear Maju Coutinho em um espaço voltado para a democratização da leitura na Pequena África é reconhecer a importância de referências negras vivas na formação das futuras gerações", destacam os organizadores do projeto.

Um Alento à Comunidade

Com a nova biblioteca, moradores da região, estudantes e visitantes passam a contar com um ambiente público e acolhedor dedicado ao saber. A iniciativa reforça a atuação do Favelivro no combate aos "desertos de leitura" e consolida o compromisso do CEAP com a garantia de direitos e a promoção da igualdade racial.

 

Um Farol de Representatividade: O Significado do nome Maju Coutinho

Batizar o novo espaço com o nome de Maria Júlia Coutinho vai muito além de uma simples homenagem: é uma afirmação sobre o poder da representatividade. Com seu carisma cativante, competência irretocável e uma elegância singular, a jornalista se tornou uma referência viva para meninas e jovens negras de todo o país, provando que é possível ocupar espaços de grande visibilidade e liderança no jornalismo brasileiro.

A trajetória de Maju nos meios de comunicação é marcada por pioneirismo, excelência e também pelo diálogo direto com a literatura. Sua jornada na televisão ganhou destaque na TV Cultura, onde apresentou o Jornal da Cultura. Em 2007, ingressou na TV Globo, onde construiu uma carreira sólida. Inicialmente como repórter, conquistou o público ao revolucionar a linguagem da previsão do tempo em telejornais como o Hora 1 e o Jornal Nacional. Sua comunicação didática e acessível sobre meteorologia foi tão marcante que acabou se desdobrando no mercado editorial: em 2016, ela lançou o livro "Entrando no Clima", obra em que desmistifica a ciência do tempo de forma leve e informativa.

O talento e o carisma da apresentadora continuaram a abrir caminhos históricos na televisão:

Jornal Nacional: Em 2019, tornou-se a primeira mulher negra a ocupar a bancada do principal telejornal do país como apresentadora eventual.

Jornal Hoje: Assumiu o comando titular do jornal diário no mesmo ano, imprimindo sua identidade e firmeza na condução das notícias.

Fantástico: Desde 2021, Maju comanda o tradicional Show da Vida aos domingos, consolidando-se no topo do jornalismo e do entretenimento nacional.

Ver uma mulher negra — que também é autora e comunicadora de mão cheia — ocupando diariamente esses espaços de destaque funciona como um verdadeiro farol para jovens talentos das periferias. Ao dar seu nome a uma biblioteca no coração da Pequena África, o espaço reforça a mensagem de que os sonhos de meninas negras que desejam ser jornalistas, escritoras ou o que mais escolherem são legítimos, possíveis e ancorados em referências reais de sucesso.